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ANÁLISE CRÍTICA DO LIVRO "QUARTO DE DESPEJO" DE CAROLINA MARIA DE JESUS - 1960 - POR TIAGO ORTAET

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  O banquete de Brasil servido frio Cozinhou no quarto, comeu sonhos vencidos… Ousou sonhar, a despejada! Vida lida, olhares estarrecidos… Caminh ou despedaçada! O fétido da falta de saneamento básico, no barro podre que exalava o aroma da desigualdade chegava mais forte no faro que denunciava a vida sub-humana na primeira grande favela de São Paulo, no bairro do Canindé. Era década de 1.950 na pauliceia suburbana, diante da alcateia que presenciava fome, violência e lama. A inércia dos poderes fede mais do que esgoto a céu aberto. A injustiça social se materializava na pele preta de Carolina e naqueles pivetes, lá da esquina. Assim seguiam os dias da escritora Carolina Maria de Jesus na guerra invisível, travada contra a fome, que de tão abstrata, só doía na barriga de quem sentia. Era preciso expressar em palavras, para a posteridade, tamanho sacrilégio, como quem documenta a própria morte em vida, diante de políticos e politicagens. "O Brasil precisa ser governado por a...

Novo artigo do Professor Tiago Ortaet sobre a violência das torcidas organizadas

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Violência Organizada O futebol, para nós brasileiros, é muito mais do que uma prática esportiva, é parte intrínseca da cultura e brasilidade, é entretenimento, lazer e patrimônio histórico imaterial, ainda que não oficial, mas de fato, pois embora o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN ainda não reconheça o futebol como uma de suas mais memoráveis celebrações brasileiras; a ginga, o drible, os clubes, as torcidas apaixonadas, os são, diante da preferência da população, marcos de grande representatividade do Brasil de ontem e de hoje, haja vista a relação que temos, não apenas em copas do mundo, em que se decreta até mesmo feriado nacional ou ponto facultativo, mas também nas finais de campeonatos país adentro. Você que está lendo esse artigo, pode até não gostar de futebol, o que também é compreensível, mas é praticamente impossível não ter nenhuma relação com esse esporte, seja vendo familiares torcendo pelo time do coração, seja resgatando memórias de infânc...

Novo artigo Tiago Ortaet: Mulheres refugiadas e a atenção humanitária em guerras invisibilizadas no Brasil

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Mulheres refugiadas e a atenção humanitária em guerras invisibilizadas no Brasil Num contexto de grandes conflitos armados e guerras civis pelo mundo, o Brasil tem se tornado cada dia mais, refúgio e esperança para famílias que desembarcam no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, contudo, há grandes conflitos locais capazes de adensar violações de direitos. Por Tiago Ortaet, 24 de julho de 2022 Segundo o mais recente relatório do Ministério da Justiça, publicado em 21 de Junho, desde 1985 o país já reconheceu cerca de 60 mil pessoas refugiadas, a maioria delas (mais de 48 mil) provenientes da Venezuela, seguidas pelas nacionalidades: Síria, República Dominicana do Congo e Angola. Apenas em 2021, foram confirmados 3086 pedidos de reconhecimento da condição de refugiados no Brasil, dentre esses pedidos, mais de cinquenta por cento são de crianças e adolescentes, o que configura um desafio prioritário no acolhimento dessas mães e seus filhos, principalmente em seus direitos básicos,...

O DILEMA DO CONTROLE - novo artigo

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  O DILEMA DO CONTROLE A transformação tecnológica no mundo pode ser colocada em um novo patamar com a democratização do acesso à internet nos últimos 10 ou 15 anos. Se há décadas atrás qualquer pai de família se sentia o supra sumo da independência por ter nas mãos o controle remoto da televisão, hoje em dia esse mesmo patriarca tem no bolso de sua calça o portal para o mundo, a facilidade para a vida contemporânea, a comodidade de ter um carro à disposição num único click, mas ao mesmo tempo, tem também uma enxurrada de movimentos virtuais que repensam inclusive o papel de uma sociedade patriarcal em plena desconstrução, vozes das minorias em ressonância contra padrões de sociedade e sobretudo está ali o apogeu da exposição midiática de sua família. Entre outras palavras esse cidadão pode ter na palma de suas mãos uma contraditória relação de independência: tem controle de tudo pelas redes sociais, mas não é capaz de controlar quantas horas a filha adolescente fica diante d...

BOM SENSO DEVERIA VENDER EM FARMÁCIA

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A racionalidade tá perdendo de goleada para a estupidez. Hoje em dia existe um tipo de “cidadão” que acha muito autêntico afrontar medidas sanitárias, eles se perderam no ópio de sua ignorância vaidosa. Estão num patamar acima da falta de saber, pois sabem; mas não aceitam a realidade e chamam isso de opinião. É como se um prédio estivesse pegando fogo e você gritasse assim “largue esse barril de querosene por que você pode explodir tudo e todos e aumentar a catástrofe” e ouvisse desse ser de nariz empinado “respeite a minha opinião. É meu direito usar o que eu quiser pra limpar meu apartamento” claro que ele pode limpar seu lar com o que desejar; só não diante desse contexto.  Nessa nação pandêmica que vivemos parece que sempre há espaços para delírios raivosos, não importa o quão grave esteja a situação.  Jovens brindando, aglomerados, vezes mil, só aumentam a catástrofe diante de um descaso que tem cara de Brasil. Aí eu me pergunto: "Esses jovens não tem país e ...

ARTIGO DA SEMANA - A URGÊNCIA POR GESTÕES HUMANIZADAS NO BRASIL

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A URGÊNCIA POR GESTÕES HUMANIZADAS NO BRASIL Que toda gestão é pautada por números, isso é inegável, mas quando os gestores públicos ficam na superficialidade dos números, na frieza de enxugamento de projetos e programas que ampliam a capacidade de desenvolvimento humano e social em rincões do país, isso recai inevitavelmente numa cadeia de distanciamento entre poder público e cidadão. É covardia cortar recursos sob os direitos fundamentais do povo. Se querem economia que façam cortando privilégios e mordomias da classe política, que cobrem as dívidas dos grandes milionários desse país, mas não vilipendiem o trabalhador, a criança, o povo pobre do meu país. Enquanto governos de direita, tem demonstrado, na prática, que suas crenças não se praticam sem oprimir a base da pirâmide, gestões socialistas deram bons exemplos do quanto investir em melhorar a vida das pessoas dá muito mais resultado. Em outras palavras, políticos que defendem o estado mínimo, só o fazem, primeir...

REPÚDIO AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO

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Maurício de Sousa, de quem sou fã, pela sua grandeza como cidadão, artista e empreendedor cultural, jamais admitiria que sua obra esteja à serviço de ataques preconceituosos, como usado, indevidamente, pelo mau caráter desse ministro (sinistro) da educação, Abrahan Weintraub. O Brasil da era Bolsonaro será muito lembrado por essas atitudes estúpidas que vemos diariamente. Obs: Esclarecendo para quem não sabe da última escrotice; o ministro fez ataques xenófobos aos chineses,  utilizando o personagem "Cebolinha" da "Turma da Mônica". Eu sempre REPUDIAREI a sordidez de figuras que deveriam dar exemplo de educação e civilidade. Há um abismo de hombridade, ética e sensatez que separam uma figura imortalizada como Maurício de Sousa e um desqualificado como Weintraub, à quem tem garantido lugar na lata de lixo da história! EU, EDUCADOR QUE SOU, TENHO VERGONHA DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO DO MEU PAÍS. # ForaWeintraub   # MECdasTrevas

ARTIGO DA SEMANA - MENINOS TAMBÉM DANÇAM

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MENINOS TAMBÉM DANÇAM Quem tem mais de 30 anos é de um tempo em que diversas atividades humanas eram rotuladas e segregadas por gênero, implicando conotação de sexualidade onde não havia, como não há também nos dias de hoje, nenhuma possibilidade de associação. Uma menina brinca de boneca por que segundo a ordem natural ela um dia pode vir a ser mãe. E os meninos não podem vir a serem pais? Na infância meninos não usavam nada que tivesse a cor rosa, pois essa era uma cor de privilégio somente feminino. Por outro lado uma menina não poderia ousar em jogar futebol, caso contrário já seria rotulada de “sapatão”. Como se admitia sexualizar uma escolha infantil? Um jovem dançar???   Nem pensar...   Não era aconselhável que um homem dançasse.   Afinal a dança, traz ao dançante, consciência corporal, psicomotricidade, expressividade e mobilidade do corpo, desenvolvimento dos músculos; etc... Como pode um homem se permitir à isso?   Um perigo mesmo! Vai que n...

ARTIGO DA SEMANA

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SOCIEDADE FAST-TUDO Eu estava assistindo telejornal num canal de tv aberta, quando percebi algo muito em comum nos dias atuais, que reflete uma profusão de conceitos, meios e mensagens. Na tela da TV havia o âncora do telejornal noticiando um fato, enquanto, ao mesmo tempo, aparecia na tela uma tarja com informação de outra notícia e abaixo dessa tarja havia uma segunda tarja, menor, em movimento, com uma terceira notícia daquele dia; uma verdadeira simbiose esquizofrênica de informações, de modo que mesmo telespectadores inquietos como eu, se incomodam e se atrapalham em tentar compreender três notícias ao mesmo tempo. Talvez esteja aí mesmo o tom de nossa contemporaneidade; a rapidez nem sempre nos ajuda, ela pode também nos atropelar. Nessa rapidez mora a superficialidade das coisas, como se o mundo fosse acabar amanhã cedo. Vivemos num tempo em que tudo é muito rápido. Evidente que a agilidade nas tarefas diárias, na maioria das vezes é cúmplice de nossa comodidade, de...

VAMOS PENSAR SOBRE A NOSTALGIA DAS IMAGENS...

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CULTURA VISUAL Não há quem fique imune ao passado e também não há quem nunca tenha se projetado ao futuro numa catapulta daquelas de nos lançar ao longe; muito mais longe do que podíamos imaginar... Nossa vida é recheada de imagens... Todos nós já ouvimos em algum momento alguém dizer “Nossa passou um filme pela minha cabeça” e é isso mesmo, um turbilhão de imagens vem à nossa mente, sempre que estamos na berlinda dos sentimentos; seja por uma emoção de vida, como a chegada de um filho, o nascimento de um neto, uma conquista sofrida, um amor latente, etc ou uma emoção de morte, na perda de um ente querido, na despedida de um amigo, na alcova de uma traição, numa separação, diante de uma catástrofe, etc; tudo se apresenta de uma só vez no nosso cérebro que é o guardião daquele que fomos, da áurea de quem somos e da luz daquele que seremos. As imagens nos cortejam, nos alimentam, nos revigoram ou nos aprisionam... Quem nunca ficou com uma mesma imagem persistindo por horas, por...

VAMOS PENSAR SOBRE TOLERÂNCIA???

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E AQUELE BRASIL TOLERANTE ONDE FOI PARAR? Se fizéssemos uma enquete perante nossos amigos e familiares sobre como avaliam o ano de 2019, de maneira geral, certamente as respostas estariam próximas da sensação que temos ouvido por aí, do quanto foi um ano pesado, conflituoso, intolerante, cheio de tragédias, com diálogos ríspidos e uma coleção de ataques de todos os lados... A sensação é que ninguém baixa a guarda e a todo tempo somos alvos de alguém... Para completar o ciclo de agressividades, muitos dirão que a melhor defesa é o ataque e uma artilharia de insultos já tem endereço certo. Até aqueles temas que antigamente tinham pleno consenso por serem unificados, um bem comum e de interesse público, parece que ganharam uma certa “ideologização” para que as pessoas possam competir com suas convicções perante às outras, numa espécie de competição; jamais cooperação para se chegar num consenso.  Semanas atrás postei numa rede social uma matéria que tratava sobre a val...

ARTIGO DA SEMANA

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Massacre no Baile Antes de expressar qualquer juízo de valor, o que é legítimo em minha atuação como colunista que analisa fatos do cotidiano, prefiro, antes, descrever um ciclo de cenas factuais que fizeram muitas famílias chorarem nos últimos dias. Uma avenida, no meio da segunda maior comunidade da periferia de São Paulo, transbordando mais de 5 mil jovens em seus becos, travessas e vielas. Um grupo de policiais decide entrar no meio da multidão à procura de dois bandidos, que em fuga, se evadiram para o baile à céu aberto (segundo versão oficial). O desfecho dessa história é a morte precoce de 9 jovens, 9 famílias devastadas e a inauguração de mais um júri virtual que acusa e condena, de ambos os lados. Há versões conflitantes, muitas irresponsabilidades apontadas... É preciso entender os meandros desse massacre com sobriedade. Não tem como iniciar essa reflexão sem antes pensar em dados mínimos da falta de lazer e de atividades culturais nas periferias de todo ...

NO JORNAL GUARULHOS HOJE DESSA SEXTA-FEIRA

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Fui convidado à escrever em mais um importante veículo de comunicação. O jornal TRIBUNA DE GUARULHOS

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Agradeço o honroso convite do diretor do novo jornal TRIBUNA DE GUARULHOS, o jornalista Roberto Samuel, para eu escrever sobre os temas que são minhas vocações. Me sinto muito feliz pela publicação de minhas reflexões sobre a vida; é sinal de que o que escrevo tem lastro na sociedade. Cada mensagem que recebo elogiando, criticando, concordando ou descordando com o que escrevi me acende para novos textos. Gratidão a cada leitor! ANTROPOFAGIA NATALINA O natal é de uma significância tão profunda em diferentes sociedades e culturas que não se resume apenas a um dia, mas todo um período de reflexão, de simbologias e especialidades no trato humano. Faço um paralelo entre o movimento modernista mais significativo da história da arte brasileira, o movimento antropofágico, com a magia que envolve o natal; mesmo distintos; ambos são referenciais na percepção da vida. O escritor Oswald de Andrade e a pintora Tarsila do Amaral, artistas brasileiros, líderes desse movimento, na primeira ...

REFLEXÃO ORTAÉTICA - ANTROPOFAGIA NATALINA

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ANTROPOFAGIA NATALINA O natal é de uma significância tão profunda em diferentes sociedades e culturas que não se resume apenas a um dia, mas todo um período de reflexão, de simbologias e especialidades no trato humano. by Nisargadatta Maharaj Faço um paralelo entre o movimento modernista mais significativo da história da arte brasileira, o movimento antropofágico, com a magia que envolve o natal; mesmo distintos; ambos são referenciais na percepção da vida. O escritor Oswald de Andrade e a pintora Tarsila do Amaral, artistas brasileiros, líderes desse movimento, na primeira metade do século XX, enfatizaram uma produção artística e cultural que comungasse de uma retórica genuinamente brasileira, ou seja, uma forma de, poeticamente, devorar nossos costumes, nossa brasilidade, inquietudes e originalidade; consequentemente vieram à tona características marcantes em diferentes linguagens artísticas, como o negro, o mulato, o trabalhador, o desenvolvimento industrial, os talentos ...