Poesia "A CENA" de Tiago Ortaet

por - 12 agosto


A CENA
A cena com nome de rio deságua em minhas vontades antes disfarçadas de impossível.
A palavra é meu bem tangível que manuseio como quero, versão legível do que eu espero.
Meus medos retirantes já constrangidos seguem rastejantes por alguma sarjeta desse lugar, fazem parte dessa espera.
Rio com cara de tímido, boca querendo rir de mim.
A cena com nome de rio, desconfio, me enquadra numa luz do improviso, segue meu riso, meus contrários interiores me inspiram, meus olhares navegam pelas águas do que vejo, fecho os olhos pra poder ver tudo que habita esse lugar.
Reedito minha cena, reescrevo meu roteiro, cenário de cinema o dia inteiro, esse olhares em capturas, flertam em mim todas minhas criaturas, vagam, velejam, voam, sobretudo, sobrevoam.
Aterrisso como folha exaustivamente escrita e toco o chão, meu mundo não tem fronteira, passaporte carimbado pela arte, estandarte e brincadeira. Eu sou o papel do meu caderno, escrevo em mim meus segredos. Brinco de ser feliz.
Meus sonhos na ponta do meu giz e meus versos pelas praças de Paris.
A cena com nome de rio ou o rio com nome de Sena?

Tiago Ortaet
Numa tarde de verão em Paris - 2011

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