M de mudança

por - 08 julho

E após falar de tempo, nada melhor do que falarmos de mudança. A tal da mudança que mexe com a alma da gente.

Quem nunca teve de mudar, que atire a primeira pedra. Mudança de casa, mudança de escola, mudança de comportamento, mudança de vida. Incontrolável desavença com o destino. O ato de fazer o diferente, sendo que ninguém gosta de mudar, e porque isso?

Mudança é sinônimo de mutação. Mutação essa inevitável. O mundo cai em um profundo comodismo em que qualquer sinal de contraste, por mínimo que seja, transforma-o em um verdadeiro caos. Se por um lado sem mudanças não há vida, por outro, a vida normal deveria permanecer em uma profunda inércia, dirá algum acomodado.

Note que passamos por um período em que a mudança percorre o espírito de todos. O que antes era também conhecida por uma sociedade despolitizada agora é uma “geração Coca-Cola com mentos”. Essas pessoas que saíram as ruas, e se encheram de orgulho em dizer que estavam mudando o país, são uma parcela pequenina da população total. Todavia, muitos, apesar de também estarem descontentes, preferem apenas, demonstrar sua contradição através de redes sociais; ficar fronte a um teclado e a um visor não são tão difíceis assim. É claro que essas pessoas fazem a diferença (se não consegue entender porque, caro leitor, imagine o tal do espírito de manada, que se manifesta em todos nós. Compartilhando ideias, desperta esse certo espírito de vários, que se levantam e saem as ruas. Esses tais facebooquianos, de uma forma ou de outra, mudam alguma coisa). Sem contar que existem as pessoas que não puderam sair às ruas por causa dos trabalhos, das obrigações das mais variadas possíveis, mas caro leitor, note que não falo dessas pessoas. Mas sim, das que tinham tudo para protestar como muitos, mas por puro comodismo, permaneceram impassíveis a mudança.
A questão que fica, por enquanto, é a seguinte: Porque não sair às ruas? Porque evitar a mudança?

Decerto permanecer vivendo em uma sociedade, que aparentemente (para muitos, mas não para todos, é claro) tudo anda em seus devidos eixos  é muito mais cômodo do que ir a luta em busca de uma mudança real, não apenas ficcional.

E essa transformação, não é apenas em relação ao governo não (porque isso, meu caro, isso dá trabalho). Uma vida não é vida se não mudar; a mudança só não pode ser grande e radical, como muitas vezes nossos ânimos nos instruem a fazer, veja que ao virar 360º, acabamos por voltar ao ponto de partida, e por isso, a alteração na vida “impõe medo” em muitos. Não é vivendo uma rotina sem metamorfoses que permaneceremos estagnados no mundo. A alternância de fatores, meu amigo, é algo inesperado e involuntário. Quer queiramos ou não, ela aparece, como uma peça do destino mesmo.

Nessa geração Y, em que tudo é mastigado, a modificação põe medo em tudo e todos; e aqueles que ficarem parados perante à trajetória de uma vida, esses se  sentirão impotentes e apáticos, visto um universo de paradoxos constantes.

Como diria Quincas Borba de Memórias Póstumas de Brás Cubas  “O essencial é que lutares. Vida é luta. Vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal”.

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