NATAL É O SUBLIME DA HUMANIDADE - MAS QUE SE PROPAGUE POR TODO ANO A HUMANIDADE COLETIVA E INDIVIDUAL

Eu sei que alguns diriam que a figura do papai noel é a imagem do capitalismo, que é uma lenda recriada pelo merchandising da Coca-cola, que é um arquétipo da manipulação da infância ao consumismo! Eu concordo com tudo isso, tenho consciência, reflito, escrevo e componho sobre isso... Mas então que eu me banhe dessa minha contradição que grita em mim assim: Pois bem, eu tive uma infância pobre, muito pobre, tive amor também! De muitos, mas me faltou um tão grande e necessário, um amor-dependência que fez brotar rizomas para sempre; mas no seio familiar me coube sempre sonhar, nunca pereci nos estados oníricos, sempre fiz disso embaixada da ousadia. Sim, ousar um mundo melhor pra mim, que naquele momento era quase uma petulância, um futuro melhor para os meus e para o todo, ainda que o todo seja mais uma de nossas ilusões diárias; por que senso de coletividade se aprende, ser plural é uma necessidade. Foi acreditando em ilusões e utopias, como o retorno de quem mais me fazia falta, descesse do céu, pousando de um avião, toda vez que olhava fixamente para o avião rasgando o céu, que aprendi a jamais rasgar as páginas do que queremos ser... Eu, talvez por necessidade mesmo, quis ser papai de tantos, antes mesmo de ser papai de um menininho chamado Otávio. Eu, desprevenido, despretensioso, sou papai noel há tantos anos e isso me alimenta a alma. Não por status, não por show, mas por transgressão mesmo, sim, parece contradição e pode até ser, mas não me furto das teorias sociais, antropológicas do mercado, sem antes pensar que de um ato gordinho, de um ato barrigudo, de barba branca, gorro vermelho e estorinha contada pelas ruas, nascem sonhos novos, nascem pausas, nascem estourar de bolhas, nascem tatos, sorrisos, magia, encantamento... 

A ideia original do bom velhinho é vinculada a uma bela história de se doar ao próximo; diante disso o lado religioso da história do Natal é pra mim maior do que qualquer religião, pois fundamenta o nascimento, no meu entender, o renascimento das nossas relações, das nossas auras. A entrega do "brinquedo" é apenas uma desculpa, um "ops", pois a brincadeira que submerge nesse oceano é SER FELIZ!
Papai Noel, vulgo: Ortaet






















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