FLUXUS by Tiago Ortaet

FLUXUS
De cara com desafetos que abortei,
me cansa mudar de calçada,
me cansa ter que saber o que já sei…
Descalçar a petulância alheia é travestir a minha própria
mesmo sendo um embrião que incendeia
Descer desse avião em colisão com o tempo é medida de sobrevivência
Eu redijo, escrevo, meu crivo é meu credo, domando sentimentos como quem alfabetiza cada suspiro,
respiro,
sugiro o mar pro meu deleite,
sugiro o céu como limite,
imploro a chuva que batiza e me deixa ser o que eu quero,
sem pedir licença
sem precisar assinar ponto, fazer constar ou sistematizar...
no baú dos sentimentos estava escrito:
o passado não corrijo, não consigo, mas profetizo meu interior…
Ah como viver é despedaçar-se,
Mas como dói a ferida social
vivo vida em alta voltagem,
valei-me meu sinal de alerta vermelho,
pigmentando meus dias,
vermelho da cor do sol poente
que se vai pra eu ser feliz de noite
vermelho que nasce e que escorre.
Minha passagem pelo beco da padronização parece que pereceu;
E eu permaneço com essa teimosia de poetizar tudo que é meu…
Rasgando a viela que o corta esse mundo tão igual, tão o mesmo, tão pouco que me vendem…
Se a capital do meu estado louco é laico profano o que eu quiser;

se meu interior cabe a pulsação, meu coração é ritmo que dança, que gera e se alimenta com a fome que deus me dá todo dia
TIAGO ORTAET contador das poesias que não se contam, se exalam...
JANEIRO DE 2014

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