EIS O TEXTO DISCUTIDO EM SALA DE AULA!!! PARA ALGUMAS TURMAS AINDA SERÁ DISCUTIDO SEMANA QUE VEM: LEIA!


Micropolítica
Gabriel Resende e Lucas Rodrigues

            É um fato notável, embora perfeitamente compreensível, que tendemos a localizar o poder em uma região muito específica e restrita do tecido social. Sinal dessa mesma tendência é a concentração dos discursos sobre o poder na esfera estatal , como se coubesse ao estado e seus agentes o monopólio do seu exercício. Contrariando a tal concepção  profundamente linear do poder  é que surge a concepção molecular e dinâmica da análise micropolítica. 
            Neste conceito-ferramenta , trata-se de desmistificar o poder, mostrando seu enraizamento e penetração no cotidiano da vida, bem como  sua duplicidade e multiplicidade :  o poder não é apenas negativo, coercitivo, opressor, porém igualmente  positivo e produtor. Mas o que é isto que o poder, em sua inesgotável pluralidade, produz, amplia e multiplica?  Em primeiro lugar, o poder produz saberes; com  efeito, o poder não apenas produz , como com estes se confunde , em uma união rizomática e carnal, no binômio saber/poder.  O saber psiquiátrico, com seus próprios panópticos, seus enclausuramentos e classificações,  matemáticas da loucura, é  o exemplo mais cabal e definitivo dessa vontade de saber , que reduz a pluralidade à unidade e a diferença à igualdade.
            Em segundo lugar, o poder é ele próprio produtor de subjetividades, ideologias, agenciamentos.  A própria subjetividade é um efeito deste poder, o qual se espalha por toda parte, como o centro do círculo infinito, que está em toda parte, mas em lugar algum.  Daí resulta a particular atenção dedicada ao pequeno, raso, cotidiano, que é produzida na análise institucional e (micro)política, desvelando o processo de subjetivação, ao qual estamos sempre submetidos, mesmo que imperceptivelmente. 
            Uma pequena amostra de produção (micro)política  de subjetividade pode ser encontrada na foto apresentada. Nela capturamos, em momento de rara síntese, a ousadia de ver a realidade sob outra perspectiva. Expandir a vida, contemplar a existência com olhos novos e bem abertos, encontrar a beleza no inesperado e no cotidiano, não são essas as atribuições do exercício cartográfico? Tanto mais, diremos nós, da análise micropolítica, que visa evidenciar como opoder forma a subjetividade. E este é, não custa ressaltar, muita mais que o jogo de força e opressão, relação simbólica e cultural. Romper com os símbolos deste mesmo poder, tal como o desconhecido que dança o tango com uma boneca, caminhando na direção contrária a dos jovens casais que praticam uma dança sensual e enérgica, é o exercício próprio da liberdade. Afinal, já diria Guattari: “A questão micropolítica é a de como reproduzimos (ou não) os modos de subjetividade dominante.” (Guattari, 1986).
FONTE: http://www.ufrgs.br/e-psico/subjetivacao/espaco/micropolitica.html 

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